Quinta-feira, 5 de Abril de 2007

Os Sapatos Pretos

 
 
 
 
 
O CANto dAS LetRAs
 
 
 
Os Sapatos Pretos
 
Parte I
 
Tinha calçados uns sapatos pretos pontiagudos e muito brilhantes, nada a condizer com as meias que trazia. Tinham uns pontos caídos em ambas as pernas! Quem a conhecesse não entenderia o por quê daquele desleixo. Talvez porque não gostasse de aparentar um alinhamento excessivo, capaz de chamar a atenção dos outros sobre si. Talvez porque estivesse, ao que dizia, FARTA de a acharem a sem faltas, a imaculada, a incapaz de cometer o mais pequeno dos “crimes” contra o próximo.
Junto à janela do quarto observava o mar, que nesse dia estava tempestuoso, cheio de força, muita força, capaz de varrer todos os despojos dos vulgares mortais, que jaziam sobre as pedras adormecidos. Achou que o mar era belo assim como estava. Semelhante a um cabelo farto e ondulado. Natural! Tão natural que desejou ser uma sereia daquelas verdadeiras que desaparecem no mar, quando estão cansadas da Terra e dos homens que a habitam, sem merecimento. Mas depressa se arrependeu, porque o amor que tinha aos sapatos pretos não lhe permitia deixá-los nas rochas onde perderiam o brilho, revirariam as pontas de ressequidos, e agonizariam. Também não lhe parecia sensato levá-los consigo, porque perderiam, do mesmo modo, toda a sua beleza que lhe advinha daquele brilho impar.
Ela tinha para aqueles sapatos um fim ou um futuro traçado. Quando os vira na montra apaixonara-se por eles, só por serem pontiagudos, pretos e brilhantes. Mas quando chegara a casa experimentara-os por diversas vezes à frente de um espelho grande e baço do tempo de uma avó e pensara com os seus botões, que aqueles sapatos eram os sapatos perfeitos para serem vistos numa urna, só com as pontas de fora, chamando a atenção de quem se debruçasse sobre ela num derradeiro adeus. Quem soubesse do seu amor por eles, redobraria os seus prantos, encontrado que estava o seu fim. Ninguém falaria mais neles, mas ninguém os esqueceria, porque nenhuns outros sapatos pretos, brilhantes e pontiagudos tinham sido tão amados e conduzidos ao Céu.
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publicado por raparigadaslaranjas às 23:05
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